Sobre nós

No século XX, houve muito sofrimento devido à violência e guerra, e nós ainda temos a tendência a pensar que podemos resolver os problemas por meio da força. Esse não é um sinal saudável, mas a maioria das pessoas nesse planeta são alimentadas com violência. [...]

Deveríamos trabalhar para fazer esse século o século da paz e da não-violência. Precisamos de uma abordagem humana para resolver os problemas que temos. Precisamos falar ao invés de lutar, nos engajar em diálogos significativos, baseados em respeito mútuo. O ódio está enraizado na sensação de ‘nós’ e ‘eles’. Precisamos, ao invés disso, respeitar os outros como membros da humanidade como nós. Precisamos buscar criar um mundo desmilitarizado. Alcançar desmilitarização externa requer desmilitarização interna. Isso é onde ‘maitri’, bondade amorosa, surge.

As mães deram nascimento a todos os 7 bilhões de seres humanos vivos hoje. Todos sobreviveram por conta do cuidado e do afeto. Como crianças, não se importam com nacionalidade, fé ou casta, mas aprenderam a distinguir tais diferenças, resultando num senso de ‘nós’ e ‘eles’. É assim que criamos problemas para nós, ignorando o fato de que num nível mais profundo somos todos iguais enquanto seres humanos. ‘Maitri’ e ‘Karuna’, bondade amorosa e compaixão, são essenciais na vida cotidiana. Nós encontramos eles descritos nos textos religiosos, mas podemos observar e desenvolver essas qualidades de uma forma objetiva e secular.

Uma vez que a raiva e a hostilidade destroem a paz da nossa mente, elas são os verdadeiros inimigos. A raiva arruína nossa saúde; a atitude compassiva a recupera. Se a natureza humana básica fosse a raiva, não haveria esperança, mas uma vez que ela é amorosa e compassiva, há esperança.

S.S. o Dalai Lama, na Conferência sobre Maitri, Mumbai, India, dezembro de 2018.