Origem do CEB

CEB é a sigla do programa Cultivating Emotional Balance (Cultivando Equilíbrio Emocional)

Em 1987 três grandes visionários se encontraram: Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama – o líder espiritual do povo tibetano e promotor global da compaixão; Francisco Varela, cientista e filósofo; e Adam Engle, advogado e empreendedor.

O trio vislumbrou que a ciência era a estrutura dominante para investigar a natureza da realidade, e a fonte moderna do conhecimento que poderia ajudar a melhorar a vida das pessoas e do planeta. E eles refletiram: qual impacto poderia ser alcançado combinando a investigação científica com o poder transformativo da sabedoria contemplativa?

Enquanto a ciência confia no empirismo, tecnologia, observação “objetiva” e análise, o Dalai Lama, Varela e Engle estavam convencidos de que práticas contemplativas bem-refinadas e métodos introspectivos poderiam ser usadas como instrumentos de investigação. Eles viram o potencial não só de fazer a própria ciência mais humana, mas também de garantir que suas conclusões fossem de mais longo alcance.

Eles compartilhavam a motivação que se tornou a missão do Instituto Mind & Life:

"Aliviar o sofrimento e promover o florescimento pela integração da ciência com as práticas contemplativas e tradições de sabedoria.”

Mind and Lifein 1992, com Dalai Lama, Francisco Varela, Thupten Jinpa, Alan Wallace, Joan Halifax e outros

Em março de 2000, o Dalai Lama se encontrou com cientistas comportamentais, monges budistas e outros eruditos na 8ª conferência do Mind and Life Institute, em Dharamsala, Índia. O encontro contou com vários especialistas, entre os quais Paul Ekman, Matthieu Ricard, Richard Davidson, B. Alan Wallace, Mark Greenberg entre outros e foi transcrito por Daniel Goleman no livro “Destructive Emotions: a scientific dialogue with the Dalai Lama” [Emoções Destrutivas: um diálogo científico com o Dalai Lama.]

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Na culminância da conferência, o Dalai Lama pediu que as importantes ideias discutidas – especialmente como lidar com os obstáculos gerados pelas emoções destrutivas na vida cotidiana e como cultivar uma forma saudável de ser e estar no mundo – fossem compiladas num programa educacional de gestão das emoções, amplo, acessível e secular.

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Paul Ekman é o mais conhecido pesquisador sobre comportamento não-verbal, pioneiro no estudo das expressões faciais e emoções universais. Psicólogo, professor emérito da Universidade da Califórnia, seu trabalho embasa pesquisas acadêmicas, serviços públicos de inteligência (FBI) e obras artísticas, como a série Lie to me e o filme DivertidaMente. Paul Ekman se uniu a Alan Wallace, uma mente única, que combina uma formação completa no currículo ocidental (física e filosofia da ciência, com Ph.D. em Stanford) com uma extensa formação nas práticas contemplativas budistas, como aluno direto de S.S. o Dalai Lama e de outros grandes professores. Os dois desenvolveram juntos o primeiro currículo do “Cultivating Emotional Balance” (CEB), com colaborações de Richard Davidson, Mark Greenberg e Matthieu Ricard. Esse currículo buscou combinar de forma puramente secular, práticas contemplativas e pesquisas científicas realizadas na área das emoções.

Eficácia do programa

O programa passou a ser ensinado desde 2002, e uma pesquisa para avaliar cientificamente a sua eficácia foi realizada em 2011 e publicada no artigo “Contemplative/emotion training reduces negative emotional behavior and promotes prosocial responses” [Treinamento contemplativo/emocional reduz comportamento emocional negativo e promove respostas prosociais]

O grupo escolhido para receber o treinamento foi de professores, por dois motivos:

  • sua situação de trabalho é estressante;
  • o treinamento de habilidades emocionais poder ser imediatamente útil para suas vidas pelo benefício secundário que pode se estender aos seus alunos.

Foram 82 professoras (do sexo feminino porque a maior parcela da população mundial é de mulheres), de 25 a 60 anos, que moravam com um parceiro íntimo. Esse último dado serviu para os pesquisadores avaliarem se os resultados do treinamento poderiam ser observados para além da sala de aula, no relacionamento pessoal de cada uma.

Ao final das 8 semanas do programa de 42 horas, conduzido por Alan Wallace e Margaret Cullen, por meio de avaliações que incluiam auto-relatos e tarefas experienciais para testar mudanças de comportamento emocional, as professoras que receberam o treinamento apresentaram ganhos significativos – e não apenas no ambiente de trabalho. Entre os resultados, se viu:

  • Redução dos níveis de depressão, ansiedade e hostilidade;
  • Aumento no afeto pelos outros;
  • Melhora na habilidade de detectar formas sutis de expressão das emoções;
  • Menor reatividade emocional e fisiológica em testes de estresse.

Esses efeitos se mostravam ainda presentes numa avaliação feita 5 meses após a conclusão do curso.

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Minha formação

Em 2018 estive na cidade de Niederwangen, vizinha de Berna, Suíça, por 5 semanas na formação imersiva do CEBTT (teacher training). Foram duas semanas aprendendo a parte psicológica do programa com Eve Ekman e três semanas dedicadas à parte contemplativa com Alan Wallace. Éramos 50 pessoas de 17 países. Quase ⅓ do grupo era de brasileiros!
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Hoje o CEB é ensinado em mais de 21 países, tendo sido adaptado para vários contextos, incluindo empresas, estabelecimentos prisionais (guardas e prisioneiros), escolas, centros de meditação, universidades, hospitais e outros.

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