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Se vemos as coisas como estando bem, tudo bem. Se vemos as coisas como não estando bem, essa visão nada mais é do que as coisas estarem diferentes do que esperamos que fossem. Isso é não compreender e não aceitar as coisas como elas são. Por consequência dessa postura, nós ficamos tensos, sofridos, deprimidos ou ansiosos com o mundo. Apontamos isso ou aquilo como causa do nosso mal-estar, quando na verdade o nosso desejo de que fosse diferente é o que inquieta e machuca o nosso interior.

Quando não compreendemos isso, o sofrimento nos acompanha, porque precisamos que as coisas sejam de um certo jeito, e não de outro. E o mundo não está aí para atender às nossas expectativas. Ficamos no esforço sem fim de controlar as coisas, controlar os outros, fazer cobranças e exigências que satisfaçam nossos desejos. Nossa energia estará sempre oscilando com as circunstâncias: estaremos sempre apreensivos com o futuro, amargurados com o passado, ou qualquer outro tipo de desequilíbrio e inquietude mental. Esperança e medo acabam por ser nossos companheiros constantes. Sempre há tensão interna. A experiência da vida é pesada, carregada, desgastante.

Se compreendemos isso, nós podemos, enfim, relaxar. Podemos desenvolver uma energia constante, livre das circunstâncias, porque agora nossa energia não está atada e refém das circunstâncias. Não precisamos segurar as coisas com força, com medo de perder ou com medo de não conseguir. Podemos segurar com leveza, com gentileza, com um sorriso, sem qualquer medo assolando nosso coração.

Podemos manter nossa integridade e firmeza frente a qualquer situação, e sempre oferecer o nosso melhor para todas as pessoas. Pode acontecer o que for, nós não nos abalamos nem nos desmanchamos. A base desse relaxamento e energia constante está na compreensão e aceitação. Aceitação não baseada em resignação – que é como um amortecimento, que nos tira a energia -, mas aceitação baseada em entendimento, que é lucidez, que nos enche de energia.

Mantemos a mente alerta e relaxada, percebendo que tudo tem uma razão de ser, e que com todas as experiências que se apresentam, podemos aprender. Não há resistência ou tensão interna. Há bem-aventurança e paz. Há uma experiência de vida leve e feliz.

Entendido isso, como fazemos para na prática não cair nos velhos hábitos de controle e estresse? Há que se praticar. Meditar!

E meditar não significa somente sentar formalmente em silêncio por longos períodos de tempo. De nada adianta isso se quando levanto da almofada os velhos hábitos negativos levantam comigo. Significa desenvolver uma atitude contemplativa, de observação constante da mente, para perceber quando o medo brota e me leva a querer controlar, quando a raiva brota e me leva a querer agredir, quando o orgulho brota e me leva a querer menosprezar alguém.

Essa é a prática: atenção e presença constantes até a superação de todas as aflições mentais.

Que haja virtude!

Lucas Ghisleni
Lucas Ghisleni
Professor de yoga e meditação do Espaço Maitri. Graduado em Física, pós-graduado em Transformação de Conflitos e Estudos de Paz e professor do programa Cultivating Emotional Balance.

5 Comentários

  1. Mell disse:

    Muita luz em cada palavra 🙏 Espero conhecer o espaço em breve! Namastê

  2. Thais disse:

    Wow… Sensacional esse texto. 📿🙏

  3. Gustavo Sada disse:

    Muito bom, Lucas!

  4. Liliane disse:

    Adorei a leitura! Gratidão.

  5. Janaina disse:

    Lindo! Gratidão querido amigo!

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